quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Despedida

Após mais de 60 anos de atividades políticas, deixo a vida pública com o encerramento do meu mandato em 31 de janeiro de 2015. Comecei minha trajetória muito jovem, inspirado por exemplos consagradores de grandes políticos de meu Estado. Ao longo desse período realizei minhas atividades com muito afinco, seriedade e perseverança. Quando deputado, não foi por acaso que ganhei a alcunha de “Formiguinha”. Encerro com muita satisfação por ter alcançado a coroação de meu esforço, ao atingir o ápice do Legislativo: a cadeira de Senador.

Agradeço ao meu povo que depositou em mim confiança e fez de mim vencedor nas urnas todas as vezes em que concorri. Agradeço também a todos que se comunicaram comigo intensamente pela internet nesses dois últimos anos.

Aqui neste ambiente de mídias sociais, uma novidade para um senhor de 83 anos, pude expor aos meus amigos de facebook e twitter meus pensamentos, propostas e ter acesso a esta rica interlocução. Inúmeras foram as vezes em que os comentários de vocês me inspiraram para discursos, projetos de lei ou simplesmente declarações a respeito do que estava movimentando esse universo virtual, um termômetro para sentirmos o que se passa pela cabeça do povo.

Volto para a condição de cidadão comum, por isso, não estarei mais tão assíduo nas minhas redes sociais, mas, tenham a certeza, estarei atento ao que se passa em nosso país. Sobretudo desse ano de 2015 que traz grande apreensão.

Saúde a todos!

Senador Ruben Figueiró

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Artigo: É isso aí

*Ruben Figueiró

No final da semana que passou li interessante crônica assinada pelo acadêmico Carlos Heitor Cony, na Folha de São Paulo, na qual ele dizia que certa vez ouvira sugestão de um colega quando a mente obnubilada por falta precisa de um assunto a ser abordado insistir-se em redigi-lo começando pela expressão “é isso aí”. Não é exatamente o que está me ocorrendo nesse instante, porém, a título de nariz de cera, jargão muito utilizado para caracterizar o início de escritos, vale a sugestão.

O que desejo comentar, até porque é tema nos meios de comunicação e nas rodas de conversas, desde o amanhecer do dia aqui em Brasília, ou em qualquer ponto do território nacional, até a noite, a triste e lamentável situação porque passa a nossa mais importante empresa - e apesar de tudo ainda um orgulho nacional, a Petrobras.

Tia Candinha vinha comentando há muito tempo desses escândalos aflorados agora e que ocorriam há anos, sobretudo, quando o PT apossou-se do poder, fatiou as diretorias da Petrobras entre aliados e tornou-se conhecedor dos imensos recursos, considerados (por eles: PT e aliados) inesgotáveis.

Nestor, Paulo, Renato, Alberto, Fábio, Venina, Graça... Personagens que ganham a atenção nacional e até internacional pelas suas denúncias, documentos, delações e atitudes descortinadas diuturnamente pela operação Lava Jato. E a cada dia uma novidade para o nosso dissabor. A propina de 3%; as grandes empreiteiras desmoralizadas; os milhões que deverão ser repatriados.  

Mas o ponto que desejo tocar é justamente talvez o mais sensível para o governo porque atinge o âmago das relações pessoais da senhora presidente Dilma.

Noticiou-se que a senhora Graça Foster, a qual – ressalto - é conhecida pela integridade pessoal, ética e moral com que sempre se pautou nos anos em que preside a Petrobras teria (na tempestade emocional que naturalmente vive) ido à amiga Dilma Rousseff por duas vezes entregar o cargo. Sem êxito, no entanto.

Na minha avaliação, ou sua senhoria foi ao Planalto para, num gesto de amizade, por o cargo à disposição -  o que quer dizer que gostaria de continuar nele -, ou teria sido insincera.

Ocorre que Graça Foster bateu na porta errada. Se realmente fosse a sua intenção deixar o cargo, teria se dirigido ao Conselho de Administração da Petrobras, que é estatutariamente a entidade que pode receber o pedido, o aceitando ou não. Perdoe-me a senhora Graça Foster, a sua atitude junto à presidente tem transparência irônica e é para inglês ver.

*Ruben Figueiró é senador e presidente de honra do PSDB-MS

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Artigo: O temor de 2015

*Ruben Figueiró

             Estamos vivendo aquele período de festas, tradicional nos meses de dezembro. Todos se confraternizam, o clima é de esperança em um Ano Novo próspero, cheio de alegrias e realizações. Parece até que poderemos apagar os erros do ano vigente e recomeçar, como se um verdadeiro manto de boas venturas caíssem sobre nossas cabeças.

Isso pode até acontecer e desejo que assim o seja quando se trata da vida pessoal de nossos concidadãos. Mas, ao analisar a realidade do país, penso que a previsão mais positiva de qualquer vidente não conseguirá alcançar tanto otimismo. 

Não sei por que (ou melhor, sei), diferentemente das outras ocasiões, eu não me sinto empolgado pelas perspectivas de um possível venturoso 2015. Creio, também, que esta tem sido uma constante impressão de todos os brasileiros, que alias, têm como característica atávica a esperança de que o futuro será melhor.

            Encontro-me em clima morno. Não desejo que as coisas fiquem ruins, pelo contrário, porém, não creio que sejam risonhas para todos. Pretendo como despedida de 2014, pelo menos por meio destes escritos, trazer à colação algumas observações quanto ao que poderia ocorrer no curso do próximo ano, tendo por estamento os argumentos que hoje estão postos à baila.

            Faço uma reflexão sobre as três crises de 2015: a econômica, a moral e a política. Crises estas que deverão se intensificar, pois já estão aí há um tempo significativo.

Quem acompanha minimamente as notícias já percebeu que 2015 não há grandes esperanças de ser próspero. A combinação de baixo crescimento, juros elevados, inflação indomada, preços retesados, queda no consumo e estratosférico endividamento das famílias prenunciam momentos complicados. Associado a isto, temos um governo irresponsável que gasta mais do que tem e resolve com “maquiagem contábil”.  Foi o que ocorreu quando a senhora presidente chantageou o Congresso Nacional em troca da aprovação de um projeto que garantiu o chamado “ajuste fiscal”. O que o governo federal fez foi uma irresponsabilidade porque não apenas desrespeitou como abriu um precedente perigoso nos âmbitos estadual e municipal ao praticamente rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A segunda crise, a moral, se intensifica com os desdobramentos do Petrolão, considerado pelo The New York Times o maior escândalo de corrupção ocorrido em um país democrático na história do mundo modernoDá profunda tristeza ao sermos surpreendidos com cada nova revelação do modus operandi desta quadrilha que tomou conta da administração pública brasileira.

Na confluência destas duas crises, viveremos a crise política de grandes proporções. Uma vez que estamos a guarda da efetiva punição do núcleo político do Petrolão. Mais do que tudo, a crise é institucional.

Por isso espero como resposta uma Reforma Política efetiva que permita o congraçamento de várias tendências, inclusive para permitir a discussão de ideias como a eleição distrital; novas regras para a constituição de partido político, a fim de evitar a proliferação ainda maior de legendas de aluguel; o financiamento de campanha; o fim da reeleição para cargos do Executivo; a limitação em no máximo três mandatos para os representantes dos Legislativos, etc.

É inegável que a confluência destas três crises – econômica, moral e institucional – marcará o ano de 2015. Esse momento só será ultrapassado com transparência, posições coerentes e mudanças de verdade. O papel do novo Congresso Nacional será fundamental nesta missão.

*Ruben Figueiró é senador e presidente de honra do PSDB-MS

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Artigo: Estaca zero


*Ruben Figueiró

 Os fatos ocorridos no Distrito de Taunay com a invasão da Fazenda Maria do Carmo de propriedade da senhora Salma Saygale por um grupo de índios Terenas são prova mais do que evidente do absoluto desinteresse do governo federal para solucionar a grave crise que abala as relações outrora amistosas entre índios e não-índios.

Desde que ocupo esta cadeira no Senado venho exprobando a política indigenista do governo da República.

Logo de início, lá pelo mês de fevereiro/março de 2013, das constantes reuniões conjuntas patrocinadas pela então Ministra-Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, cheguei a pensar que se alcançaria uma convergência pacificadora das tensões então existentes. No instante, e não sei por que razões, do encaminhamento da questão para a área do Ministério da Justiça, a minha expectativa otimista esvaiu-se por completo.

Com todo o respeito que me impõe a pessoa do senhor José Eduardo Cardozo, titular da Justiça, não reconheço nele um cidadão de palavra firme para cumprir o que promete. Inclusive, é bom lembrar, que ao sentir que Sua Exa. corria do debate na Comissão de Agricultura do Senado fui forçado a requerer dos meus colegas a presença do ministro nela, sob pena de, não comparecendo, ser-lhe imputado o crime de responsabilidade. Está registrado. Lá compareceu poder-se-ia até dizer “debaixo de vara” e lá, recordo-me, teve de ouvir, silente, a voz cáustica da senadora Kátia Abreu.

Reuniões inúmeras se realizaram entre os interessados indígenas e produtores rurais. Promessas de indenização e compra de terras foram protagonizadas, mas as coisas continuam na estaca zero.

Agora, novo carnegão é espremido com a invasão das terras no município de Aquidauana. Carta aberta da respeitável Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) ao senhor ministro revela quão grave é a situação e quão deprimente é a posição das autoridades da República. A Acrissul alerta para novos conflitos iminentes e relembra que há um ano e meio o governo federal prometeu solução para a Fazenda Buriti em 45 dias! Uma urgência que já dura 18 meses...

A decisão do governo federal para a questão em Mato Grosso do Sul poderia balizar a solução dos conflitos agrários em todo o País. Mas, infelizmente, o Ministério da Justiça prefere continuar empurrando com a barriga e pagar para ver a ameaça do povo terena de promover nova onda de invasões. Isso em nosso Estado. Sem citar os inúmeros problemas semelhantes Brasil afora.

Ninguém deseja a permanência dos conflitos. Índios e não-índios almeja a paz e a segurança dos seus direitos. Não sei, caros leitores, se ao alcançaremos.

De uma coisa estou convencido, de que se as autoridades maiores da República não encararem a questão da terra no Brasil com a segurança dos inarredáveis direitos de propriedade e uma definição responsável pela demarcação de terras indignas que tome como base o que o STF decidiu na célebre questão da Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, chegar-se-á ao caos e os conflitos se sucederão intermináveis. Deus permita que deles não haja mais vítimas mortais.

*Ruben Figueiró é senador e presidente de honra do PSDB-MS

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Artigo: Vocação para desagradar

*Ruben Figueiró

A senhora presidente começa suas escolhas ministeriais para assessorá-la no governo da reeleição. Sou da oposição. Tal, porém, não me desobriga e até exige que eu me manifeste à distância sobre as decisões do Palácio do Planalto, especialmente no tocante a uma área que diz muito ao meu Mato Grosso do Sul – a agropecuária. 

Para esta, a senhora presidente anuncia o nome da senadora Kátia Abreu. Sem dúvida é um nome respeitável, mas percebo haver resistência no ambiente do próprio partido dela, o PMDB, que considera a nomeação como parte da cota pessoal de Dilma. A indicação seria “um agrado” pela atuação da presidente da CNA em favor da reeleição durante a campanha. Aliás, parece que Dilma não conhece a máxima da política que diz que tudo o que é acordado não sai caro. A presidente esqueceu-se de fazer o PMDB sentir-se padrinho da escolha de Kátia Abreu para a Agricultura.

Mas o maior aliado do PT não é o único problema em relação à indicada ao Ministério. Há resistências também de expressivas lideranças da Frente Parlamentar Ruralista e de amplos setores da classe rural. Sem contar na reação do MST, que já começou a onda de invasões de terras e divulgou um texto intitulado “Bem-vinda Kátia Abreu”, com o prenúncio de que não vem coisa boa por aí.

Ouço o zum-zum-zum, mas não me cabe indagar os seus reais motivos. Sei isso sim, que tais motivos poderão prejudicar uma exitosa administração da nossa agricultura, hoje a principal área da produção nacional.

Para evitar já de início a guerra dos bastidores, entendo que o prudente seria a senhora presidente ouvir ao invés do Lula, seu criador e imperial consultor - que pouco ou nada sabe da produção de batata ou da diferença entre uma vaca Holandesa e uma Nelore --, deveria ouvir sim o produtor rural, hoje muito bem representado no Congresso Nacional. Mas, como já tem demonstrado, Dilma tem vocação para desagradar...

Destaco um nome respeitável dentre os parlamentares e acredito que de maior consenso: o do senador Waldemir Moka, representante de nosso Estado e também integrante do PMDB. Ressalto não ele possui um hectare de terra sequer, mas se identifica com a classe rural e o faz com discernimento, como um devoto desde quando em Brasília demonstrou o seu valor e credibilidade, primeiro como deputado federal e agora como senador, quando tem revelado-se um soldado impávido na defesa do campo.

Estou convicto de que tal decisão, se tomada pela presidente, acalmaria amplos setores, majoritários daqueles que produzem e como produzem no campo. Os exemplos reveladores aí estão.  

*Ruben Figueiró é senador e presidente de honra do PSDB-MS

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Escolha duvidosa...

          O Palácio do Planalto deixou vazar o nome da senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. É um nome respeitável, mas enfrenta reações do próprio PMDB, de expressivas lideranças da Frente Parlamentar Ruralista e de amplos setores da classe rural.

Entendo que Dilma deveria ouvir o produtor rural ao invés do Lula - que pouco ou nada sabe da produção de batata ou da diferença entre uma vaca Holandesa e uma Nelore.

Destaco um nome respeitável dentre os parlamentares e acredito que de maior consenso para ocupar o Ministério da Agricultura: o do senador Waldemir Moka, impávido na defesa do campo.

 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Artigo: Aí é outra história


*Ruben Figueiró
 
         Ao combate é o chamamento que se ouve dos brasileiros de todos os recantos do solo nacional e as oposições a ele estão sintonizadas. É o que se extrai das declarações de Aécio Neves, principal portador das insatisfações populares, encorajado pela voz uníssona de 51 milhões de brasileiros.
            Em seu primeiro discurso no Senado após o resultado das eleições, que teve ampla repercussão nacional, Aécio retomou a posição de porta-voz das oposições e traçou as estratégias de combate aos desmandos do PT e de seus aliados.
 
Pela primeira vez o PT encontrará uma oposição totalmente em sintonia com a voz das ruas. O povo quer mudanças, quer enxergar posturas éticas e morais. Esse sentimento não será engavetado. A oposição estará atenta para mantê-lo ativo ao longo dos próximos quatro anos.
 
Eu entendo que é missão das oposições criticar veementemente o governo, especialmente se a decisão da presidente reeleita for por continuar distribuindo cargos e espaço de poder para as pessoas fazerem negócios. Isso não é a mudança prometida. Será mais do mesmo. O fato é que a população está saturada de mensalões e petrolões.
 
Claro, somos pela legalidade e acima de tudo pela democracia. Rechaçamos por completo a ideia de impeachment da presidente reeleita. Precisamos respeitar o resultado das urnas, por mais que se suspeite de fraude nas eleições. Se forem comprovadas, aí é outra história. Mas antes, é preciso dar tempo ao tempo para que seja realizada a investigação criteriosa que o caso exige. A ideia de impeachment ao invés de acalmar pode tumultuar os propósitos do regime democrático cuja implantação custou sacrifícios, lágrimas e mesmo sangue de brasileiros.
 
            Os governistas reforçam a ideia de que o país não está dividido nem rachado. De fato, torcemos para que não esteja. O momento realmente é de união, de diálogo, mas é preciso estar de ouvidos e coração abertos para o contraditório. Será que Dilma está preparada para isso? Será que seu temperamento permite? Pelo bem da Nação e das futuras gerações, espero que sim.
 
           Já estamos em recessão técnica, atestado pelos próprios institutos estatais, como o Ipea. Algo precisa ser feito com urgência urgentíssima para não chegarmos ao fundo do poço. Que o ano de 2015 seria difícil, de reajustes e medidas antipopulares, todos já sabiam. Acontece que as tais medidas começaram a ser tomadas três dias após as eleições. Se considerarmos que a presidente reeleita Dilma Rousseff jogava na conta do opositor o ano difícil, enquanto que com ela tudo seria um ‘mar de rosas’, podemos dizer sim que houve ‘estelionato eleitoral’.
 
            Como disse Aécio em entrevista ao Jornal O Globo: “A candidata Dilma estaria muito envergonhada da presidente Dilma. Para a candidata, aumentar juros era tirar comida da mesa dos pobres. Para a candidata, não havia inflação. A candidata dizia que as contas públicas estavam em ordem”.
 
Pois bem, a população brasileira constatou que depois de eleita, o discurso não condiz com a prática.
 
Retornar ao prumo, promover o crescimento econômico, sem se desfazer do atendimento social é o que todos queremos. Desejo que a senhora Presidente cerque-se das pessoas certas, de técnicos que realmente saibam o que estão fazendo. Não ceda apenas à pressão política e à acomodação de companheiros despreparados em postos chave da Administração Pública. Que faça diferente para conseguir cumprir o seu bordão de campanha do “seguir mudando” porque é de mudança real que o Brasil precisa e não de marketing. Caso contrário, confirmaremos ainda mais o estelionato eleitoral.
 
*Ruben Figueiró é Senador da República e presidente de honra do PSDB-MS

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Lava Jato: Eu não sabia não cola mais

Foto: Folha de São Paulo

Como qualquer cidadão, eu fico especulando até onde as autoridades maiores de nosso país têm conhecimento desses desdobramentos cotidianos da Operação Lava Jato. É de se estranhar que com tantos meios de informação à disposição do governo e diria até de escalões importantes do Palácio do Planalto tais autoridades não tenham detectado as maracutaias ocorridas no intestino de nossa principal empresa.

“Tá difícil engolir declarações em contrário (algo do tipo: eu não sabia)!” – É o que pensa até o cidadão mais comum.

Como já fizeram o Paulo Costa e o Youssef, creio que os altos dirigentes das empresas que foram presos no final da última semana desejarão lavar a sua cara. O sabão ficará imundo, é certo. Virá à tona a água suja das negociatas na Petrobras, consequência do suposto fato de que esses grandes executivos estenderam à mão aos operadores do sistema e se dispuseram a atender as ordens que possivelmente partiram de gabinetes palacianos, ora no Executivo, ora no Legislativo.

Creio que tudo virá à luz muito em breve.

sábado, 15 de novembro de 2014

Artigo: O homem que peneirava palavras

*Ruben Figueiró
            
      Há homens que não precisam estar presentes para ser evidentes. Assim é Manoel de Barros. Em sua simplicidade, ele retratou de forma extremamente sensível a exuberância do Pantanal. Expoente da nossa poesia, encantou com suas palavras leitores no Brasil e no exterior. Em sua premiada obra de 28 livros publicados, deixou jóias, como o poema “O apanhador de desperdícios”, o qual transcrevo trecho:
“(...)Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios (...)”.
            Há tempos não via uma personalidade ser tão consagrada por ocasião de sua morte como o foi merecidamente Manoel de Barros. Ele retratava a “grandeza do ínfimo” e dizia que “poesia não é para entender, é para incorporar”.
O poeta virou passarinho, como muitos disseram, no dia 13 de novembro, aos 97 anos de idade. Deixará saudades, é inegável, mas seu legado ficará para a posteridade a emocionar aqueles que amam o belo e o singelo.
Homem de dupla naturalidade, pois nascido no Mato Grosso, viveu a vida toda no nosso Mato Grosso do Sul, sempre a ressaltar a natureza do Pantanal.  Dele, o Pantanal, soube transformar, com sua sensibilidade apurada, em palavras não só as belezas daquela vegetação, como o canto dos pássaros e o ruído multifacetado dos animais. Enxergava pela lente da emoção e da singeleza. Tornou-se com a maior naturalidade no homem que peneirava palavras.
Tive a honra de conhecê-lo na década de 50 do século passado. Era uma expressão literária que do Pantanal se estendia “campo fora”. Lembro-me que os seus colegas advogados e dele mais próximos davam-lhe o epíteto de “Mané Sociá” em razão de suas manifestações políticas quando jovem. Homem discreto, Manoel de Barros não era muito de falar em público e certa vez declarou: “O jeito que eu tenho de me ser não é falando, mas escrevendo”.
Ele descansa agora após uma longa vida de intensa produção literária. Com grande alegria tomei conhecimento de que sua obra será toda reeditada e deverá ser lançada no início do próximo ano.
O certo é que a poesia de Manoel de Barros será sempre e sempre o testemunho daquele que soube captar da natureza a riqueza da vida e o fez com a humildade que é a verdadeira assinatura dos homens que pensam e deixam um legado que só os grandes podem edificar para as gerações futuras.
Ao saber de sua morte pensei em prestar-lhe uma última homenagem no Senado da República. Devo apresentar um Projeto de Resolução sugerindo a criação pelo Senado de um concurso de poesia com a temática ambiental. Os vencedores receberão o Diploma Manoel de Barros. Espero ter o apoio de meus pares para encerrar o meu mandato e a minha vida parlamentar prestando esta honraria ao nosso poeta pantaneiro. Afinal, Manoel de Barros se imortalizou por peneirar palavras e registrar no papel os diamantes que encontrava a partir de sua percepção aguçada das “coisas desimportantes”, como ele mesmo dizia.
 
*Ruben Figueiró é senador pelo PSDB-MS e presidente de honra do Diretório Estadual do partido

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Artigo: Emancipação política

*Ruben Figueiró

   Nesses praticamente dois anos de exercício no nobilitante cargo de senador da República – missão por mim almejada desde quando assistia empolgado as sessões da primeira Câmara Municipal de Campo Grande após a ditadura Vargas nos idos de 1948 – colhi frutos da convivência com expressões marcantes da política nacional. Não citarei nomes, tantos são eles e que contarão pela sua nominata meu respeito e admiração, tal a nobreza das lições que deles colhi.
            Nessas mal traçadas linhas, como disse Gil Vicente, lá pelo século XVI, sem o brilho e a arte de outros, traço o meu conceito sobre o tema em epígrafe: Emancipação política.
            O faço ao concluir a leitura de artigo do eminente senador Cristovam Buarque em O Globo (edição de 1º/11/2014) no qual sua excelência define que nosso país aos 200 anos de emancipação política não conseguiu completá-la efetivamente.
            O senador pelo DF cita oito obstáculos que a impedem (a emancipação) sem que o Brasil mostre suas forças vivas para transpô-los: custo das campanhas; política prisioneira do sistema de financiamento; amarras impostas pelos institutos de pesquisa e dos marqueteiros; falta de ideologia de esquerda e de direita; programas assistenciais para exploração eleitoral; silêncio dos intelectuais omissos da missão de oferecer alternativas; cooptação de agentes políticos por meio de mensalões, benefícios deletérios, por ONGs, sindicatos, federações e outros; e, finalmente, aparelhamento por parte do Estado ou do partido no Poder.
            Não há quem de sã consciência discorde do senador Cristovam Buarque, nessa balbúrdia em que se transformaram as eleições em nossa pátria amada, Brasil.
            Porém, me permito acrescentar às oito razões do senador a ditadura das cúpulas diretivas. Explico: Os dirigentes partidários são insistentes e persistentes em manter-se nas posições de comando e ao alvedrio de lideranças, fechar as portas ou deixá-las entreabertas ao desejo de tantas e tantas vocações de jovens “de todas as idades” que têm afinidade àquelas doutrinas partidárias e delas querem efetivamente participar, contribuindo com o fervor de seu entusiasmo. No meu entendimento, adquirido ao longo de mais de meio século de vivências partidárias e das quais só tenho admiração por duas, a UDN (ressalto, a original de 1945) e o PSDB pelas suas estruturas doutrinárias inquestionáveis, essa atitude prejudica que a estrutura partidária seja arejada.
            O resultado das recentes eleições sob o mais vivo e cívico clamor popular chama a atenção para a imperiosidade da reforma política, eleitoral e partidária a fim de oxigenar o processo de escolha e vitalizar as ações programáticas dos partidos, inclusive, e sobretudo, com uma sistemática e periódica renovação de suas direções.
            O consistente artigo do senador Cristovam Buarque que, entendo, abre campo para a discussão de um sistema eleitoral que contemple a eficiência de eleições por meio da escolha distrital de seus representantes, levará o debate a importância de se implantar o verdadeiro conceito de emancipação política, prioridade entre as reformas aclamadas pelo povo das cidades aos grotões.

*Ruben Figueiró é senador pelo PSDB-MS e presidente de honra do diretório estadual

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Racionamento de energia – consulta a São Pedro?

Nuvens negras já tentam encobrir o solo em nosso país. Aí estão pré-anunciados os aumentos dos combustíveis, da energia elétrica e de outros quejandos.

A oposição (que civicamente ganhou as eleições, mesmo perdendo-a, como afirmou Aécio Neves) durante toda a campanha eleitoral fez alerta aos brasileiros de que isto poderia acontecer, ao contrário da senhora presidente Dilma que, “mistificadamente” negava.  O governo petista pensou em votos, jamais no bem estar de seus governados ou na economia do País. Os amamentava com ilusões, assegurava a abundância do leite. Agora, diante da terrível evidência, vê o leite derramado e tenta recuperá-lo à custa do suor e do bolso de todos nós brasileiros.

O que se anuncia já tido como verdade de que haverá racionamento de energia elétrica desmistifica a balela mistificadora da senhora presidente de que em seu governo jamais haveria apagões de energia elétrica. O Operador Nacional do Sistema (NOS) já anuncia apagões “seletivos” durante a madrugada nos meses de janeiro e fevereiro, caso as chuvas não sejam suficientes para recompor os reservatórios das hidrelétricas ao patamar de 30% no início do ano.

Lembrando Garrincha no episódio da Copa do Mundo de 1958, é o caso de se perguntar se a presidente antes de fazer tais declarações haveria consultado São Pedro?

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Reforma política e partidária

                 Os partidos com base na lei orgânica atual fogem à modernidade do tempo em que vivemos. As ideias surgem e voam com rapidez supersônica. Porém, a dinâmica dos partidos tem um vetor idêntico à velocidade de uma carroça, lenta e preguiçosa. Seus dirigentes têm cisma oligárquica, não permitem a renovação de valores. Temem perder o manto.

                Roberto Romano, professor de Ética da Unicamp afirmou com propriedade e com ele concordo: “as oligarquias mandam nos grandes partidos”. Digo eu, não só nos grandes, como nos pequenos também, esses à busca de transações inconfessáveis, controlam tudo: alianças, supostos programas, o cofre e o horário eleitoral, que usam como moeda de troca.

                Pelas evidências, ninguém poderá discordar do iminente professor que aduz em suas declarações que é preciso impor eleições primárias e mandatos de dois anos para os dirigentes partidários, “sem reeleição”. Concordo com o mestre, discordando apenas quanto a negação da reeleição, desde que o seja por uma única vez, isso para o bom dirigente poder sedimentar o seu programa de arregimentação partidária.

 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Artigo: Jeito tucano de governar


*Ruben Figueiró
 
A partir de 1º de janeiro de 2015 o Mato Grosso do Sul vai entrar num novo tempo. Pela primeira vez, o PSDB chega ao Executivo do Estado. O partido está preparado para exercer um governo moderno, sem discriminação, aberto a todos os segmentos sociais, convergindo propósitos, superando divergências pontuais e ideológicas, obedecendo estritamente às leis e aos Poderes constituídos.
 
O povo escolheu um homem honrado, competente, provado e comprovado na vida pública: Reinaldo Azambuja. Ele lutou com altivez contra a campanha negativa do PT. Teve a clareza de manter o sangue frio e venceu de virada. Vai enfrentar todos os desafios com dedicação e coragem.
 
Os problemas, conhece bem. Um ano e meio antes do início do processo eleitoral, Reinaldo Azambuja e seu grupo político já percorriam todas as regiões do Mato Grosso do Sul com o programa “Pensando MS”. Na conversa olho no olho, ouviu de diversos setores da sociedade, o que mais afligia cada região. Começa o mandato com conhecimento de causa e muita garra para fazer diferente. Para imprimir no estado a marca do “jeito tucano” de governar!
 
Ele vai priorizar a saúde, a educação, a segurança pública, estimular produção no campo e nas cidades, atuar na recuperação de terras degradadas, na superação dos conflitos de terras com indígenas e na garantia de melhorias dos assentamentos rurais.
 
 Em âmbito nacional, as oposições também saem vencedoras. Aécio Neves consolida sua liderança nacional. Enfrentou com altivez essa campanha suja. Ganhamos corpo e musculatura legitimados por metade da população que está insatisfeita com a presidente Dilma Rousseff e com os 12 anos de gestão petista. Mas na realidade, muito mais do que 51 milhões de cidadãos são contrários a fórmula baixo crescimento e inflação alta. O brasileiro não aceita a roubalheira na Petrobrás, cansou dos equívocos da política econômica e do aparelhamento do Estado.
 
Não foi por acaso a preocupação da presidente reeleita de ressaltar a importância da união e do diálogo a partir de agora. Ela sabe que está se deparando com um país dividido.
 
Porém, precisa superar o discurso e respeitar a oposição. Não tive a percepção de que ela evoluiu para uma postura de humildade de reconhecimento de seus erros. Continuei vendo a Dilma prepotente, carbonária, sem clareza sobre o real significado do pleito eleitoral.
 
O povo não deu cheque em branco a Dilma. Ela precisa escutar,  ouvir as novas forças políticas, e criar consensos centrais para dar esperança ao povo brasileiro.

O ano de 2015 será extremamente difícil do ponto de vista político e econômico. Atravessamos terríveis turbulências sociais. Além disso, há esqueleto nos armários, há a Operação Lava Jato, há escândalos submersos, há a própria “herança maldita” dos últimos dois anos.
 
Precisamos de um governo transparente, aberto, disposto a reconhecer seus erros para mudar. Caso contrário, viveremos os próximos quatro anos como uma nau em meio à tempestade.
 

*Senador e presidente de honra do PSDB-MS

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A realidade do boato

          “Parece que a presidente Dilma foi eleita com um discurso e vai governar com outro”. A frase do ex-ministro Luiz Mendonça de Barros, publicada hoje em reportagem da Folha de São Paulo, é bem apropriada para as decisões tomadas nos primeiros dias logo após a reeleição. Durante a campanha, Dilma associava a Aécio Neves a política de juros altos para combater a inflação. Pois bem, para surpreender o mercado, o Banco Central decidiu elevar a Selic de 11% para 11,25% e ainda deve elevar mais até o final do ano. Espero que a gestão petista tenha percebido ser inevitável a receita: corte de gastos + alta do juro = a controle da inflação e retorno da confiança da iniciativa privada.
          A alta dos alimentos, o reajuste da energia elétrica, da gasolina, das escolas, tudo isso serve para evidenciar que a inflação em 2015 provavelmente vai superar o limite de 6,5% fixado pelo governo.
A presidente Dilma, na sua ânsia eleitoral de mostrar que a situação econômica do país estava acendrada  em bases sólidas e que medidas extremas de ordem fiscal e tributária não seriam aplicadas após as eleições, dizia enfaticamente que notícias em contrário eram simples boatos propalados pelas oposições.
Agora pelos reiterados aumentos (e muitos outros ainda virão), os “boatos” se confirmam e tornam-se realidade. Já declarados aumentos concedidos a várias empresas de distribuição de energia elétrica em todo o país, que chegam a quase 60% , como no caso de Roraima; os aumentos paulatinos dos combustíveis; a recente decisão do Banco Central em aumentar para 11,25% da taxa Selic; repito, são o início de uma sequência que irá morder a mão do trabalhador brasileiro. A massa de pessoas indignadas vai ficar ainda maior porque irá acrescentar a ela àqueles que – pelo menos os de boa fé – votaram pela reeleição da presidente.

 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O povo não deu cheque em branco a Dilma


No retorno dos trabalhos legislativos nesta terça-feira (28) ressaltei em discurso que a presidente reeleita deve reconhecer erros para enfrentar o próximo ano. O governo precisa ser aberto e transparente. 2015 será extremamente difícil do ponto de vista político e econômico. Atravessamos terríveis turbulências sociais. Além disso, há esqueleto nos armários, há a Operação Lava Jato, há escândalos submersos, há a própria “herança maldita” dos últimos dois anos.

O povo não deu cheque em branco a Dilma. Ela precisa escutar, ouvir as novas forças políticas, e criar consensos centrais para dar esperança ao povo brasileiro. Não senti nas manifestações dela no domingo e ontem no Jornal Nacional respeito às oposições. Continuei vendo a Dilma prepotente, carbonária, sem clareza sobre o real significado do pleito eleitoral. Sua proposta de reforma política seguida de plebiscito é inconsistente. Não podemos repetir a fórmula de baixo crescimento e inflação alta, não podemos aceitar os descalabros na Petrobrás, não podemos manter os equívocos da política econômica. Temos que alterar as relações com as bases congressuais. Temos que reduzir os ímpetos bolivarianistas nas relações com a imprensa e com as oposições. O Governo deve tentar ouvir várias vezes o rugir das urnas e compreender com absoluta clareza o papel e a importância das oposições a partir de agora.

É certo que o resultado das urnas fortalece a oposição.  Tenho uma trajetória política de 60 anos e nunca havia assistido a uma campanha eleitoral tão sórdida, com tantas mentiras sendo propagadas com o objetivo exclusivo de provocar o medo, o ódio e a divisão entre as pessoas. Aécio Neves agiu como verdadeiro líder. Senti orgulho em tê-lo como candidato de União, das forças convergentes de novas propostas para o País.
 

O jeito tucano de governar


       Mencionei hoje em Plenário a vitória do nosso candidato Reinaldo Azambuja ao governo de MS. Acredito que o novo governador vai trazer um novo tempo para o nosso Estado. O PSDB de Mato Grosso do Sul está preparado para um governo moderno, sem discriminação, aberto a todos os segmentos sociais, convergindo propósitos, superando divergências pontuais e ideológicas, obedecendo estritamente as leis e os Poderes constituídos.

      Reinaldo vai mostrar o jeito tucano de governar, priorizando a saúde, a educação, a segurança pública, estimular produção no campo e nas cidades, atuar na recuperação de terras degradadas, a superação dos conflitos de terras com indígenas e a garantia de melhorias nos assentamentos rurais.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Artigo: A importância do voto

Ruben Figueiró* 
Orgulho-me em ser eleitor. Eleitor desde a idade primaveril. Lembro-me de meu primeiro voto, em 1950: Eduardo Gomes, para presidente; Fernando Correa da Costa, para governador. Já no paraíso das saudades, lá se faz sessenta e quatro anos! Não sei de quantas eleições participei nesse longo período, sei que votei em todas, inclusive nas consultas plebiscitárias.

Nelas votei com a convicção de que cumpria um direito cívico, não porque imposto, coagido pela lei draconiana, da multa e das restrições  que ainda perduram. Dos votos que dei, creio que em um deles errei talvez embevecido pelo ardor da campanha. Caí no logro, como milhões de outros brasileiros. Confiei em Jânio Quadros, nosso conterrâneo – o homem vassoura e com ela, conspurcada, varreu-se o próprio da presidência. Que decepção!

No próximo dia 26, voltarei à presença da urna. Pela quinquagésima vez não sei; sei sim que meu voto se somará ao de milhões de eleitores, todos convencidos de sua importância para dar um basta aos que usufruíram, usufruem de mensalões, propinodutos, dinheiro na cueca, Rosegates, tráfico de influências, indústria de sindicatos, Ongs de laranjas e, o mais danoso, vergonhoso de todos, o Petrolão, filho adúltero de nossa não tão ingênua Petrobras.

Nosso voto há de ser um fanal a nos orientar para varrer da administração pública esse processo lento das sonolentas realizações do governo Dilma, onde permeia ainda triunfante a doutrina lulopetista. O lulopetismo, aliás, parece imitar o nefasto Luiz XIV, o ambicioso rei de França, de que o Estado é o PT. Dai afloram os males que estão fazendo a nervosa timoneira da corrompida nau perder o rumo do equilíbrio e da sensatez.

Todo pleito eleitoral é importante pelo seu acendrado conteúdo cívico. Percebo que estamos palmilhando sobre pedregulhos, pedras pontiagudas afiadas pela felonia das mentiras permeadas pela calúnia, injúria e difamação partidas dos já possuídos pela agonia da derrota. A grande maioria dos cidadãos move-se pela crença inabalável de que o momento é de renovação de valores. Sobram os recalcitrantes, toldados pelo medo ou pelo apego às benesses do poder.

Mas o fato é que doze anos de lulopetismo tornaram-se insuportáveis. A incompetência cansou. As podridões transbordaram.  O Brasil está parando. O povo perdeu a esperança. É preciso mudar!

Por tudo quanto há de repulsa no eleitor consciente, o voto sadio será Aécio Neves, presidente, Reinaldo nosso governador! A esperança vencerá o ódio.

 *Senador PSDB/MS

 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ao senador Delcídio: palavra necessária

Ruben Figueiró*

Por ser a inauguração do programa político eleitoral em segundo turno, veio-me a curiosidade de assisti-lo. De início, causou-me espécie ouvir as manifestações do candidato Delcídio do Amaral Gomes, por quem, reitero, tenho apreço pessoal e boa convivência no Senado. Delas (declarações) me permito alguns reparos, tais como quando afirma dos bilhões de reais que carreou para nosso Estado, também em obras distribuídas por todo território sul-mato-grossense.

Realmente não se pode negar a diligência, também seu prestígio no Palácio do Planalto, para alavancar benefícios ao Estado. No entanto, ele há de reconhecer o intenso trabalho de toda a bancada federal no mesmo sentido, sobretudo nesta Legislatura – da qual sou testemunha.

As presenças atuantes e prestigiosas do senador Waldemir Moka, enquanto lá esteve a ex-senadora Marisa Serrano, do senador licenciado Antonio Russo, como dos diligentes deputados Reinaldo Azambuja, Vander Loubet, atual coordenador, Luiz Henrique Mandetta, Antônio Biffi, Geraldo Rezende, Fábio Trad, Marçal Filho, Akira Otsubo e o hoje licenciado Edson Girotto constituíram-se na força motriz para destinação dos recursos orçamentários e extra orçamentários. A viabilização de recursos para o Estado é um trabalho coletivo, que envolve inclusive vereadores, prefeitos e governadores.  Esta é a cristalina verdade! 

Outra declaração do eminente senador candidato também me causou surpresa ao profligar que o PSDB, meu partido, deseja retirar de Mato Grosso do Sul, transferindo para o estado de São Paulo, os recursos do ICMS oriundos da passagem pelo nosso território do gás natural pelo gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol).

É bom rememorar que essa foi uma realização do governo Fernando Henrique Cardoso. Sinceramente, não posso aquilatar de onde surgiu na memória privilegiada do prezado senador tal absurdo. Do tempo que estou no Senado, jamais ouvi na tribuna ou fora dela protestos seus contra tal estranha intenção. Se tal acontecesse, o PSDB de Mato Grosso do Sul, pela palavra do Reinaldo e da minha, estaria integralmente solidário ao atento senador.

Até o cidadão mais simples reconhece os exageros verbais, intencionais ou não, que se cometem numa campanha eleitoral. Dai os cuidados, inteligência e sobriedade, sobretudo dos que postulam cargos majoritários, que devem deles se acautelar para não cometer destemperos ou deslizes, mesmo que estes sejam transbordamentos do calor emocionante da disputa eleitoral.

Permita-me, caro colega senador Delcídio, nada obstante a distância que nos separa pela doutrina petista que você agasalha, mesmo reconhecendo que não é a sua, sugerir-lhe ao que você é, como excelente parlamentar pelo nosso Estado, servir-lhe sempre, razão por que nosso eleitorado, reconhecido como é, irá mantê-lo no Senado da República nos próximos quatro anos.

Não exagere Senador na dose de suas declarações eleitorais!

As eleições passam, os nomes que a disputam são guardados na memória e as instituições ficam.

*Ruben Figueiró é Senador da República (PSDB/MS)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Artigo: Hércules para limpar a sujeira

*Ruben Figueiró

            Ao iniciar estas linhas veio-me à memória um texto da mitologia grega quando foram entregues a Hércules cinco missões desafiadoras. Uma delas - a mais significativa - foi a de limpar os estábulos do rei Augias. Missão nada agradável, quase um castigo, um teste à sua lealdade a princípios de extirpar a sujeira impregnada no ambiente real. Hércules cumpriu a ordem.

            Mutatis mutandis. Mudando de hora, ambiente e costumes, esta será uma das mais difíceis missões do nosso futuro presidente. As eleições de primeiro turno sinalizaram categoricamente que a população brasileira não está comprometida com as ações do lulo-petismo, desgastado pelo mofo que ocorre nos porões palacianos e que se tornou uma indignação nacional. Só os comprometidos com as benesses do poder o exaltam, mas o poço de suas vaidades está para secar.

            No próximo dia 26, teremos a chance de iniciar um novo tempo no Brasil, com a escolha de quem representa outras estratégias de ação governamental. A escolha principalmente daquele que vai promover o fim do aparelhamento do Estado e o real combate à corrupção. Aquele que pode retirar da política esse cheiro de azedo, de sujeira mal lavada ou escondida debaixo do tapete. O Brasil precisa de mudança verdadeira, de investimento em áreas fundamentais que impulsione o nosso desenvolvimento e promova a justiça social.

Uma coisa me preocupa, porém. Ao analisar a opção do eleitorado, causou-me espécie o número expressivo de abstenções (19,39%) e de votos brancos e nulos (cerca de 9,64%). O montante de quase 39 milhões de pessoas demonstra que a mensagem política não está chegando ao coração desses brasileiros. Mais ainda, especialistas analisam que parte dessas pessoas participou dos protestos de junho do ano passado. Gente que não se sente representada por ninguém e que até refuga essa representação. Ocorre, no entanto, que vivemos em uma democracia representativa e até hoje não surgiu ainda outra forma melhor de se governar respeitando os desejos heterogêneos de qualquer Nação.

Entendo que os partidos políticos, além da postulação de seu programa de governo, deveriam juntar-se à conclamação do Superior Tribunal Eleitoral para que o cidadão, tendo condições de votar, o faça e não fique em sua casa, não permaneça indiferente porque a sua omissão a este ato cívico poderá constituir-se num dano ao país e até em arrependimento pessoal.

Eu sempre me emociono diante da urna. Tenho esse sentimento desde a década de 50, quando comecei a votar. Claro que naquela época havia uma áurea muito mais formal ao ato. Os homens iam até terno numa reverência ao processo democrático. Era uma demonstração de respeito. Hoje está tudo muito diferente... Mesmo assim, aos 83 anos, não sou mais obrigado a votar, mas desse direito não abro mão de forma alguma.

            Não creio que esses quase 30% de brasileiros que se abstiveram de escolher os futuros dirigentes do país ou de seus Estados o tenham feito apenas por indiferença ou manifestação de repúdio ao processo. Alguns também por causa dessa lei eleitoral draconiana que impede, por exemplo, o voto em trânsito para todos os cargos eletivos. Por isso apresentei um projeto de lei para que aqueles que estejam fora do seu domicílio eleitoral no dia do pleito possam exercer o legítimo direito que a Constituição lhes consagra em relação a todos os cargos eletivos.

Minha proposta já foi aprovada pelo Senado e está em discussão na Câmara dos Deputados. Espero que o PLS 130/2013 garanta o voto em trânsito desde o presidente da República ao vereador já nas próximas eleições.

*Ruben Figueiró é senador da República pelo PSDB-MS

                 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Artigo: Voto consciente

*Ruben Figueiró

Todas as eleições têm um condão cívico extremamente importante. Sei disso porque sou eleitor desde 1950 e em todas os pleitos tive a certeza de que se estava construindo uma democracia solida.

A eleição que ocorrerá em 05 de outubro terá um significado especialíssimo, não ocorrido nas anteriores, pois decorre de um clamor popular que brotou espontaneamente em junho do ano passado, quando a juventude reivindicou nas ruas mudanças na gestão da coisa pública.

Com essa sintonia de princípios e propósitos é que me permito pugnar por nomes da mais autêntica personalidade cidadã, candidatos de meu partido – o PSDB – à presidência da Republica, Aécio Neves e Aluízio Nunes Ferreira. A estes me ligam, muito além dos laços de amizade, companheiros que somos como senadores, a admiração que lhes reconheço como gestores públicos exemplares. Firmeza de posições ideológicas estamentadas por princípios democráticos e perfeitamente assimilados ao ideário de novos rumos para o Brasil.

Em nosso Estado, o sentimento também é de mudanças. São 36 anos de esperanças ainda acalentadas. Não se pode negar que algo foi alcançado pelas administrações pretéritas e atuais, mas nosso potencial de aspirações exige mais. Daí renovar valores é preciso.

Por isso, apoio, com entusiasmo, Reinaldo Azambuja e Rose Modesto. Com eles me identifico na luta que empreenderão por novos rumos para o nosso Estado.

Sentir-me-ei honrado que a cadeira que hoje ocupo, oriunda da eleição de Marisa Serrano, da qual fui partícipe ao lado Senador Antonio Russo, seja conferida ao jornalista Antonio João, cidadão prestante que ostenta os méritos de cidadania vigorosa e firme, a quem recomendo o sufrágio do sul-mato-grossense.

Ressalto também Márcio Monteiro, candidato a deputado federal sob o número 4545. Presidente do Diretório Regional do PSDB, ele tem prestado relevantes serviços à causa partidária e vem lutando com afinco pela valorização da ação política. Por estes motivos, recomendo o nome dele nestas eleições. Para deputado estadual, como sempre fiz, votarei na legenda por acreditar que a agremiação partidária do PSDB reúne pessoas em prol de objetivos semelhantes, que comungam dos mesmos ideais e que foram escolhidas como candidatos por representarem os melhores quadros do partido. Meu voto, portanto, é no 45!

Todo governo é resultado de uma ação conjunta dos poderes Executivo e Legislativo. Daí a relevância de que na Câmara dos Deputados, em Brasília, e na Assembleia Legislativa, em Campo Grande, o PSDB e os partidos aliados, estejam significativamente representados.

 Por isso, no dia 5 de outubro opte pelo voto consciente. Escolha as pessoas que têm elevado espírito público, motivadas pelo propósito nacional de renovação dos costumes políticos.

Conclamo pelas mudanças tão almejadas por aqueles que sonham com novos rumos para MS e para o País.

*Ruben Figueiró é senador da Republica

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Artigo: Nada a declarar


*Ruben Figueiró

                 “Nada a declarar!” –  A expressão consagrada na boca de Armando Falcão, ministro da Justiça do governo Geisel em suas respostas à imprensa, têm sido muito usada por alguns bandidos de colarinho branco que pisam no Congresso Nacional para as oitivas das inúmeras CPIs ocorridas ao longo dos anos. Muitas delas acompanhadas com imensa efervescência, grande movimentação de políticos, advogados, jornalistas e curiosos. Várias ficam para a história - não tanto pelas consequências de suas investigações, mas por justificativas inusitadas que entraram para o folclore político.
                Lembro-me da CPI dos Anões do Orçamento. Ficou notória uma desculpa esfarrapada de que o enriquecimento ilícito havia ocorrido com a ajuda de Deus.  O suposto chefe do esquema, o deputado já falecido João Alves declarou-se uma “pessoa de sorte”, pois teria ganhado na loteria inúmeras vezes para lavar o dinheiro desviado dos cofres públicos. De tão inusitada, a explicação entrou para a crônica política nacional como piada.

                Inúmeras outras CPIs terminaram em pizza e a guloseima que tanto agrada o paladar do brasileiro virou bordão jornalístico e sinônimo de impunidade. Os temas investigados são dos mais variados: futebol, medicamentos, narcotráfico, obras inacabadas, ONGs, etc. Em comum, elas têm geralmente o tráfico de influência e o desvio de recursos públicos.

                A primeira CPI foi criada em 1953 para investigar as operações de crédito entre o governo de Getúlio Vargas e o jornalista Samuel Wainer, dono do jornal Última Hora. O resultado deu em nada, mas serviu de instrumento aos oposicionistas de Vargas, que chegaram a sugerir seu impeachment. Apenas a partir da Constituição de 1988 o Legislativo pôde agir efetivamente por meio de comissões parlamentares de inquérito.

Para os incrédulos do uso dessa importante ferramenta de fiscalização do Congresso Nacional, cito a CPI do PC Farias que, em 1992, culminou na crise que levou ao impeachment do então presidente da República Fernando Collor de Mello. A CPI do Judiciário, que em 1999, levou à cassação pela primeira vez de um senador da República, o empreiteiro Luiz Estevão e à prisão do Juiz que ficou conhecido como Lalau dos Santos Neto. Mais recentemente, em 2012, outro senador, Demóstenes Torres, foi cassado, consequência da CPI que revelou as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos. E claro, merece destaque absoluto as CPIs dos Correios e do Mensalão, que desvendou em 2005 o que seria o maior esquema de compra de apoio político já realizado até então. Mas como o PT sempre consegue se superar, nos deparamos atualmente com as CPIs da Petrobras. Pelo rumo das investigações, vemos que a atuação da quadrilha na estatal ocorria com sofisticação ímpar. 
                É inegável que as Comissões Parlamentares de Inquérito representam um ganho para a democracia brasileira. Em geral, elas são criadas após as operações bem sucedidas da Polícia Federal, instituição que tem se mostrado imprescindível para passar o Brasil a limpo.

Agora o que não desce goela abaixo é o teatro na mais recente CPI do Congresso que investiga o esquema de desvio milionário da Petrobras. Parlamentares governistas fazem de conta que arguem e depoentes fazem chacota do Legislativo Federal quando respondem: “nada a declarar”, como fez o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, beneficiado pela delação premiada. Já se sabia que ele nada falaria até por uma questão jurídica. Porque então o teatro?  
                Inaceitável é a permanência no governo de um grupo que verdadeiramente está saqueando o Brasil em prol do seu projeto de poder por tempo indeterminado e do enriquecimento ilícito de alguns “escolhidos”. Sem alternância de poder, estamos quase flertando com uma ditadura.

                O que está muito claro é que a corrupção que dilacera as estruturas da Administração Pública, o baixo crescimento nacional, o retorno da inflação e a insegurança no futuro da economia são bem reais e não fazem parte do jogo de cena promovido pela gestão petista.  

*Ruben Figueiró é senador da República e presidente de honra do PSDB-MS